Visceralistas – O mar, Irê, o mar nem sempre é azul

Vi nos olhos dos outros a fé, que você conhece bem. Paguei nossa promessa, fiz um pedido. Não te preocupa.

Me joguei com tudo do sertão de Juazeiro pradiante. Sola do sapato gasto, saco de pano, saia de lona, peito aberto, ruga na testa, olho vivo. Eu sou mulher e muita coisa. A poeira da estrada muda a cor dos meus cabelos, meus trapos, minhas unhas e de tudo o que eu vejo. Mas eu, Irê, eu tenho faro.

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Visceralistas – Estrangeira

Quando os filhos são pequenos, viajar sozinha é uma tarefa complexa. Mas estar sem eles por algum tempo é também uma forma de cuidar de si, de aliviar o peso do cotidiano que, mesmo sendo encantador, uma hora cansa. Percebi a complexidade disso quando me vi buscando um motivo que justificasse a viagem. Afinal, uma mãe viajar sozinha parecia suspeito. Eu pensava assim na época e precisei de um álibi.

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Visceralistas – Pânico no mar

Em menos de um mês as férias foram decididas tendo Salvador como destino e Morro de São Paulo como complemento. Com a viagem repleta de histórias engraçadas, o foco desta crônica poderia ser desde a pimenta que coloquei demais na comida por ignorar os conselhos do garçom e da presepeira-amiga-vulgo Verônica que me acompanhou nesta aventura, até as coincidências do Universo que nos fizeram conhecer duas conterrâneas só na terra de Caymmi.

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Visceralistas – Próxima parada

As viagens interiores sempre me encantaram. Sou daquelas pessoas que aproveita qualquer brecha para entrar no ninho e, com um prazer enorme, explorar cada pensamento, transformando tudo em conclusões das mais absurdas. De tanto viajar por dentro, desenvolvi na adolescência uma insegurança específica de viajar no mundo real. Trajetos eram um terror, cobertos de cheiros estranhos, pesadelos, insônia, enjoo, dor de barriga e todas as reações que o medo provoca em gente desarmada. A potência de minha imaginação para criar cenários catastróficos deixaria a fissão nuclear parecida com um traque de massa*.

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Visceralistas – New York, New York

É estranho chegar em um lugar que se conhece sem jamais ter estado. Nova Iorque é um déjà vu a cada esquina; tudo já apareceu em algum filme, série, telejornal, revista, rede social ou sonho. Apesar disso, mal coloquei os pés fora da Penn Station e já me surpreendi com esse tudo; estava deslumbrado com a pulsação da cidade, procurando no alto enxergar algo invisível, que não estaria lá, mesmo assim olhava para cima como todo bom turista. E tomei um encontrão.

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