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We Can do it! By Lilla Rocker Tattoo

Olá Desbravadores!

Escrever sobre ser mulher é como escrever sobre arte. Sobre música. Sobre fé. É algo tão complexamente lindo e desafiador que transborda qualquer definição, pois nós somos assim, cheias de vida e donas da vida por natureza. Talvez por isso sejam tantos os desafios, porque é próprio do ser humano temer o que não se conhece, e assim por muito tempo tentaram nos segurar, nos limitar, por temer o nosso poder. Afinal, nós provamos que podemos dominar o mundo não é mesmo? E vamos!

#naocausecomaminhacausa
Durante o mês de Março use #naocausecomaminhacausa em suas fotos, elas podem ser repostadas no nosso Instagram.

Logo cedo eu descobri que ser mulher, e diferente dos padrões, seria ter que dia a dia provar o meu valor, porque de algum modo nunca entrou na minha cabeça (ainda bem) essa coisa de você se limitar ou mesmo se superestimar por qualquer definição – percebi isso a primeira vez que me dei conta de sofrer um certo tipo de bullying, que na época não se chamava assim. Afinal, eu era uma garotinha, gordinha, de outro estado, com sotaque diferente, que ouvia rock desde pequena e preferia mil vezes estar desenhando do que brincando de maquiagem/cabelo/casinha na escola. Por sorte, meus pais sempre foram pessoas muito cultas, de mente aberta e coração enorme, e nunca tentaram me podar para me encaixar em nada, pelo contrário, sempre incentivaram que eu me destacasse justamente pelo que os outros achavam errado. Porque não era errado, era diferente.

Foi assim que com o tempo fui percebendo que minha voz tinha poder e que eu precisava dar voz a outras pessoas, especialmente a outras meninas e depois outras mulheres – porque chega a adolescência e nós somos expostas a uma sexualização e a cobranças machistas que muitas vezes não temos condições psicológicas nem sociais de suportar ou contornar. Eu, por exemplo, além de tudo já fazia parte de um cenário extremamente machista de bandas de rock, motoclubes e arte (sim, existem exceções) onde até há pouco tempo a presença feminina era mínima e muitas coisas eram consideradas “brutas demais para uma mulher”. Foi quando eu conheci um movimento feminista pós-punk chamado Riot Grrrl que foi minha introdução na luta por um mundo mais igualitário, porque queria provar a mim mesma e ao planeta que nós podemos o mesmo e até mais do que um homem, e porque percebi que precisava me unir a outras mulheres para fortalecermos umas às outras. Percebi que, independentemente do movimento, todas estamos unidas e lutamos pela mesma causa.

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Ilustração: Feminist Apparel

Hoje ainda faço parte de um meio muito masculino, machista, que é o mundo da tattoo. Não vou dizer que foi fácil ouvir de muitos que “mulher não tatua” e no início ter que encarar o machismo frio e cru com que alguns estúdios e alguns clientes tratam as mulheres, em especial as que estão começando, como era o meu caso. Eu nunca quis ser um rostinho bonito para agradar os clientes ou fazer apenas desenhos delicados. Queria a minha identidade, respeito, reconhecimento e as mesmas oportunidades, então a cada nova atitude para me diminuir por ser mulher, eu confrontava com inteligência e me tornava (e me torno) ainda mais determinada. Dei muita sorte de encontrar pelo caminho mentores e amigos que viram minha luta e apoiaram, me defendendo desta face tão oculta da arte e me reconhecendo como ser humano, artista e como mulher também.

De lá pra cá muita coisa aconteceu, que só reforçou meu pensamento feminista e me fez perceber que ser feminista não é apenas lutar pelos direitos das mulheres, mas lutar pelo direito de todos. Querer um mundo igualitário inclui toda sua diversidade, e ao pedir respeito a nós pedimos respeito ao próximo, seja ele quem for. Ganhamos mais voz, vide os recentes acontecimentos na mídia, mas esse glamour e a falsa ideia de que dominamos o mundo não podem enterrar os números de mulheres que sofrem, que não chegam nem perto da realidade. Ainda vivemos numa conjuntura cheia de estereótipos, de preconceitos, de injustiças, falsas moralidades e violência, que ninguém além de nós mulheres sabe. Mesmo assim, estamos avançando e não podemos parar.

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Lilla não é uma simples tatuadora, é uma artista que encanta a todos os clientes.

Descobri que falar de feminismo é muito mais do que falar de direitos das mulheres, é falar do direito de cada ser vivo, de saber o valor de cada um e olhar de frente, sem amarras, para o cenário que se impõe. Para começar basta desejar ser respeitada e se respeitar, começar um processo de aceitação do que existe dentro de você, seja lá qual for sua escolha em qualquer aspecto. O que existe dentro de você, não o que colocaram lá sem pedir sua permissão. Respeitar suas ideias, seus sentimentos, seu corpo, suas ideologias. Isso é lutar por um mundo mais justo, mais igualitário, onde todos tenham vez. É não compactuar com sistemas que nos imponham padrões. É fazer acontecer, não se omitir em busca de uma imagem.

Por fim só posso dizer que, ao longo dos anos e das minhas experiências, descobri que ser feminista é ser mulher e ponto. Com ou sem alardes, bandeiras, movimentos, manifestações, mas fazendo o melhor por você mesma e por outras mulheres no seu dia a dia. É se respeitar e desejar ser respeitada, se aceitar e aceitar a próxima, ter fibra para encarar os estereótipos e padrões, querer ter mais segurança para viver e mais acesso às oportunidades porque nós podemos, temos tanta fibra, poder, capacidades, inteligência e vontade quanto qualquer um. Então, façam por vocês mesmas e por todas nós, todo dia, o seu melhor, desejando que isso contagie o mundo.

Se você deseja conhecer o maravilhoso trabalho desenvolvido pela Lilla, acesse o Lilla Rocker Tatto.

Au Revoir, Ciao, Hasta Luego, See you later, Até logo!

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