Dia de festa no mar

O charme de Salvador está nas festas que concentram algumas centenas, às vezes milhares de pessoas por motivos mágicos. Para mim, a mais estética de todas é a festa de Iemanjá, a rainha das águas salgadas. O bairro boêmio do Rio Vermelho, em sua curva mais bonita, se enche de gente e flor, cheiro de alfazema, panos azuis e brancos na praia da Paciência. É lindo de ver, mesmo pela televisão.

Nil_Machado_Iemanjá
Crédito: @escritoemfoto

Há muito tempo não consigo estar nessa comemoração. Concentro a fé dentro de mim; creio que entre as entidades e eu a conversa tem que ser mesmo particular. Além do mais desconfio que Iemanjá pode não me escutar no meio de tanta gente. Devaneio meu, nunca Iemanjá iria fazer isso com uma filha tão devota, que ela salvou de morrer afogada duas vezes, uma no mar e outra na piscina. Ela sabe que onde tem água, tem que ficar de olho em mim.

Brincadeiras à parte, nunca vi burocracia tão bem organizada como a dos Orixás e Santos. Eles sabem exatamente o que a gente pede, como e quando. E respondem.

Em um dia de Iemanjá, acompanhei uma amiga que rogava algo em frente ao mar, de olhos fechados e vestido molhado do joelho para baixo. A criatura rezava e apertava uma rosa branca  contra o peito, na maior esperança da realização de sua súplica. Jogou a flor como uma atleta olímpica. A Orixá, sem pena, devolveu a flor que foi rolando na areia, numa ondinha besta, até seus pés. A gente não sabe do pedido um do outro, só desconfia. Mas, pelo contexto, e a cara tristonha da pedinte, aquilo foi resposta curta e grossa de que seu relacionamento não valia mais esforço algum.

Dois de fevereiro é dia da festa do mar da Bahia e, há tempos, acompanho de longe a folia de largo mais charmosa de Salvador. Sempre teremos pessoas apaixonadas tirando selfie com a imagem de Iemanjá aconchegada nos presentes, e outras usando colete salva-vidas, levando oferenda a nado para alto-mar.

O resultado da amiga foi a separação, bem que Iemanjá avisou. Flores devolvidas, presentes aceitos, balaios cheios de flor e pescadores no mar, baiano comparecendo à festa, com sua fé sorridente, na mistura de muitos credos. Iemanjá é dona do mar, é mãe de filho peixe, mora no Rio Vermelho e fica linda de azul.

Rodapé

Au Revoir, Ciao, Hasta Luego, See you later, Até logo!

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