Visceralistas – Pânico no mar

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Crédito:  Arquivo pessoal

Em menos de um mês as férias foram decididas tendo Salvador como destino e Morro de São Paulo como complemento. Com a viagem repleta de histórias engraçadas, o foco desta crônica poderia ser desde a pimenta que coloquei demais na comida por ignorar os conselhos do garçom e da presepeira-amiga-vulgo Verônica que me acompanhou nesta aventura, até as coincidências do Universo que nos fizeram conhecer duas conterrâneas só na terra de Caymmi.

Lá pelo quarto dia, já havíamos visitado o Pelourinho, Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, Itapuã e tantas outras maravilhas da capital baiana. Era hora de seguir rumo a Morro de São Paulo, no município de Cairu, litoral baiano.

Mesmo com a mala totalmente inadequada (aquelas de rodinhas, super equipadas), resolvemos fazer o trajeto marítimo-terrestre sozinhas, sem o serviço de uma agência de turismo. Foi um tal de deixar mala com uma senhorinha que fizemos amizade no ferry, tomar sorvete de umbu, correr para não perder o ônibus até Valença e finalmente pegar a lancha que nos levaria até Morro. Se pensa que aqui se encerra a aventura, aí você se engana: noventa e nove degraus separam o píer até a área plana que dá início aos hotéis e comércios da cidade. Meu amigo, você sabia da escada? Nem eu.

Imagine conhecer a ilha e todas as belezas naturais que a envolvem, lindo não? De barco, melhor pedida. Dia e horário marcados estávamos lá. Nem o tempo nublado e o tal do vento macho que vem do Sul, tirariam as paulistas, que-nem-pareciam-vir-da-praia, do roteiro.

“Vocês compraram o volta à ilha pra lancha de Marcos, foi? Ôxe, mas Marcos não sai hoje. Vou ver o que posso fazer por vocês, moças!” Devíamos ter ouvido aquele sinal divino, mas não, estávamos lá e não podíamos deixar passar a oportunidade, não é mesmo?

“Olhe, dei um jeito, vocês vão na lancha de Jorge, pronto.” Então meu sorriso mais intenso nascia.

 

Horas antes, ainda no café da manhã:

“Bicho, tive um sonho estranho. Um negócio com água, ondas, sei lá!”

“Verônica, sério, deixa isso pra lá. Come mais um bolinho de estudante e esquece!”

Hola, que hermosas! Sabe aquele momento em que você se arrepende de não ter estudado mais espanhol? Este foi um deles. Principalmente quando descobri que éramos as únicas brasileiras naquele barco repleto de hermanos. Mas nada que mímica e sorrisos não ajudassem. Pena este pensamento ter durado exatos dois minutos. Tempo da lancha entrar em alto-mar e as ondas chacoalhassem tudo. Não sabia se chorava ou entrava em oração. Só lembrava da minha mãe e dos 337 mil planos que tinha em mente para quando voltasse para casa. Verônica dava colo e acalanto a uma garotinha que só sabia gritar: “Mamá, mamá, quiero volver! Quiero volver!” Em seguida diria a frase que me instaurou o pavor: “Você lembra daquele meu sonho de ondas e tal? Acho que era um pressentimento”. Nesta hora meus olhos saltaram mais que os do Tom quando em busca do Jerry e só consegui dizer: “Cara, guarda para você, sério!”

Se pensa que foi um trajeto rápido, caro leitor, aí você se engana: Seguiram-se quarenta minutos em que vi a vida passar como num filme e que fiz todas as preces que sabia. No meio do desespero, lembrei do meu avô João, que era pescador. Nestes momentos qualquer incredulidade some de nossa mente. Segundo minha amiga, que conta esta história em meio a gargalhadas, ela olhava para mim, sentada próxima ao timão, que com uma mão segurava o que podia ser uma barra e a outra elevada aos céus enquanto entoava: “Seguraaaaaa na mão de Deus e vaiiiiii”.

Na primeira parada em terra firme pós tortura, saí correndo da lancha e corri para sentar na areia. Nunca fiquei tão feliz ao sentir os grãos invadindo os dedos dos meus pés e sujando toda minha roupa. Mais um pouco eu faria castelos de areia junto à chiquitita, que agora era só sorrisos.

No avião de volta para casa, agradeci aos santos todos da Baêa por estar viva e até à dor no estômago que carregava depois de tanto pânico. É a primeira vez que esta história é replicada de maneira formal, nas anteriores tinha como palco mesas de bar e rodas de amigos, enquanto Verônica e eu chorávamos de rir.

Rodapé 2

Au Revoir, Ciao, Hasta Luego, See you later, Até logo!

Michellândia

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